sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Papel e Caneta


Tenho papel e caneta nas mãos.
Algo me sufoca como se tivesse algum nó em minha garganta.
As minhas mãos tremem, tremem...
A minha voz falha.
Os meus batimentos aumentam loucamente.
A vontade de escrever é mais forte do que tudo.
Tenho papel e caneta nas mãos.
Está tudo em minha mente, tudo.
Todas as palavras, todos os sentimentos,
Só não tenho a coordenação em meus dedos.
Não sei como escrever o que sinto.
Não tenho argumentos.
Vozes gritam coisas para que eu escreva.
Gritam e gritam.
Imagens e sons aparecem.
Tenho papel e caneta nas mãos, mais não sei o que fazer com eles.
As minhas mãos doem como se tivessem sido esmagadas.
O meu sangue escorre pelo papel,
Ele se move como se tivesse vida.
E então, tudo, todas as palavras, todas as imagens e sons, todos os sentimentos surgem no papel com uma ortografia culta e perfeita.
Tenho papel e caneta nas mãos, e ainda tenho todas as palavras na minha mente.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Tempestade


Estou num profundo sono,
Depois de um cansativo dia.
Tudo parece flores,
Até que os trovões se intensificam.
Estão cada vez mais altos.
A tempestade aumenta.
Mesmo dormindo,
Posso ouvir o forte barulho da chuva
Caindo no telhado.
É como se eu estivesse dormindo acordado.
O frio aumenta e estou descoberto.
Não sei porque,
Mas sinto que estou só em casa.
O frio congela meu peito.
Não têm ninguém para me cobrir.
Os cala-frios tomam o meu corpo.
Não sei se tremo pelo frio ou pelo medo.
A tempestade parece não ter fim.
Os trovões estão cada vez mais altos.
É como se o céu estivesse se partindo.
Eu me vejo deitado na cama,
Dormindo, descoberto.
O que está acontecendo?
Como posso estar dormindo,
Se estou aqui, vendo a mim mesmo?

Com uma simples distração minha,
O cenário do quarto muda completamente.
É um lugar imenso e escuro.
Os trovões de novo, ficam mais altos.
E os raios que caem sobre as árvores.
É tudo tão ensurdecedor.
Ouço o barulho do mar.
As ondas estão enfurecidas.
E eu ainda me vejo alí,
Em meio à grande tempestade.
Dormindo, num profundo sono.

Os raios e a chuva não me atingem.
É como se houvesse uma proteção.
A tempestade fica cada vez maior e mais violenta.
Corro desesperado para tentar me acordar,
Mas não consigo me aproximar.
Há mesmo uma proteção.
É como um campo de força.
Forte e elétrico.
Agora tenho medo de que os raios me atinjam..
Sei que o meu sono está protegido,
Mas eu, estou aqui,
Todo molhado, devido à chuva.
Ouço todos os trovões.
E esses raios que caem sobre as árvores.
Quero correr, mas não sei pra onde.
É tudo tão deserto.
Tudo tão escuro.
Tudo o que vejo é a chuva e a mim,
Deitado, com um profundo sono.
E esses raios que caem sobre as árvores.
Raios que podem me atingir.
O desespero está a meu lado.
Fecho meus olhos para poder pensar no que fazer.
Mas tudo que vejo são esses raios que caem sobre as árvores.
E essa tempestade que não para de crescer.
Essas ondas que estão em fúria.
E todos esses longos trovões.
Essa tempestade que parece não ter fim.
Esses raios que caem sobre as árvores.

Não sinto mais o meu coração bater.
Fecho meus olhos, para tentar ver uma saída,
Mas tudo que vejo,
É essa tempestade.
Essa tempestade que não para de crescer.
Essa tempestade que parece não ter fim.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Razão de Viver



O amor é tudo de sincero que sinto.
É todo o meu fôlego,
É toda a minha alma.
O amor que sinto por você,
Não é apenas um simples sentimento.
Ele vai muito além.
Como explicar o tremer de minhas pernas quando estou a seu lado?
Como explicar o nervosismo em minha voz quando me direciono a você?

Ah, se você me amasse como te amo.
Poderíamos nos amar eternamente.
Poderíamos nos amar em Marte ou em Pandora.
Poderíamos nos amar aqui,
Neste lugar com pessoas estranhas.
Ou até mesmo na extrema profundidade de uma grande treva.

Se você me aceitasse,
Eu seria capaz de esquecer toda a minha claustrofobia e viver eternamente contigo em um pequeno quarto fechado.
Esqueceria todo o meu medo e viveria no imenso crepúsculo de um profundo abismo.

O meu amor por você é algo inesplicável.
Quando te vejo, até mesmo a uma longa distância,
A minha cabeça gira, como se eu estivesse num violento brinquedo de um parque de diversões.

Apesar do meu amor,
As dúvidas crescem vertiginosamente dentro de mim.
De onde veio?
Como surgiu assim do nada esse amor?
As perguntas são infinitas,
Mas as respostas não chegam a mim.
As dúvidas crescem,
Crescem enlouquecidamente.
E a única certeza que tenho,
É que estou perdidamente e incondicionalmente apaixonado por você.
Por você, que é a única razão pela qual eu vivo.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Corpo de Cinzas


Corro, corro apressado.
Corro pra chegar ao meu destino.
O sangue que corre em minhas veias ferve,
Devido à grande adrenalina dessa corrida para o meu lar.
Corro, corro para meu destino,
Preciso sair deste lugar que não foi feito pra mim.
Este lugar de tantas desgraças e catástrofes.
O suor que escorre em meu corpo me queima com um efeito de um poderoso ácido.
As minhas veias estão penduradas.
Sofro tanto neste lugar.
Neste lugar de miséria.
Não paro.
Apesar da dor que sinto,
Corro desesperadamente.
As feridas do meu corpo que me causam tanta dor,
Fazem com que minha corrida se intensifique.
Sinto como se alguém me chibatasse como um burro velho.
A dor me causa a impressão de um enorme peso nas costas.
A velocidade de minha corrida diminui rapidamente.
E essa enorme chama que se aproxima.
Tento me apressar.
Mas quanto mais tento, mais lento é o meu caminhar.
Está chovendo pedras.
Pedras que caem sobre minha cabeça.
Estou me esvaindo em sangue.
Um sangue que jorra sem parar.
Um sangue inflamável,
Que ao se juntar ao fogo,
Entra em chamas.
Chamas que se espalham por todo meu corpo.
Chamas que me queimam.
Me queimam como se eu fosse um pedaço de papel.
E derrepente surge uma enorme onda,
Que arrasta tudo o que está à sua frente.
Até mesmo o meu corpo,
Que agora,
É apenas um pequeno monte de cinzas.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sinto sua Falta


Sinto sua falta,
Sinto cada dia mais.
A angústia da sua partida cresce de forma inesplicável.
A cada minuto ouço a sua voz.
Ouço você dizendo que me ama.
A cada minuto ouço o seu grito desesperado.
Um grito de quem quer voltar.
Porque você foi me deixar?
Porque não me levou contigo?
Oro todos os dias para que possamos ficar juntos novamente.
Sinto sua falta,
A sinto cada dia maior.
Ela cresce desesperadamente dentro de mim.
Ai, essa angústia que consome a única esperança que eu tenho de te reencontrar.
A cada instante te vejo em minha mente.
Vejo você me abraçando enquanto eu durmo.
Porque se foi assim, sem avisar?
Porque me deixou nesse lugar de solidão?
Nesse lugar que deixa faz tão triste?
Venha, me leve pra junto de ti,
Porque não aguento mais ouvir os seus chamados.
Não posso mais viver nessa vida triste.
Estou me consumindo em lágrimas.
Lágrimas que me ardem ao sair.
O choro que se faz cada instante mais alto,
Cada instante mais desesperado.
A sua ausência me levou ao isolamento.
Não tenho mais amigos,
Me afastei de todos eles.
Não consigo me relacionar com ninguém mais,
Ninguém mais além de você.
A falta que sinto de ti abriu um enorme buraco em meu peito.
Um buraco que não me permite amar ninguém além de você.
Venha, me busque.
Me leve pra junto de ti.
Não posso mais sofrer por sua ausência.
Venha, venha logo.
Busque-me.
Leve-me
Me deixe ficar ao seu lado.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Espelho


Eu te vejo, eu posso te sentir.
Eu posso sentir o seu interesse.
Eu posso ouvir o que falas.
Estou sentado, assistindo a todo esse espetáculo.
Posso sentir o seu medo, é como se houvesse uma conecção.
Eu posso sentir o que sentes.
Posso ouvir o que ouves.
É tudo tão confuso,
É como se fossemos um só.
Eu penso o que pensas.
O medo é parte de nós agora.
Ele está nos unindo ainda mais.
Agora posso fazer o que fazes.
Entro em desespero.
Tento não me afogar em todas essas lágirmas derramadas.
Tento não afundar em todo esse sangue espalhado pelo chão.
Sangue que não sei de onde veio.
O ódio está dentro de nós.
Um ódio incontrolável.
Um ódio que me manda matar-te.
E todo esse sangue no chão.
Que não sei de onde veio.
Eu te vejo, estás à minha frente.
Eu posso te sentir.
Sinto tudo o que sentes.
Todo o ódio, todo o medo, toda a vontade de matar.
Toda a vontade de saber o que acontece.
Toda a vontade de saber de onde veio aquele sangue espalhado pelo chão.
Não temos mais o amor em nossos corações.
E ele era a nossa única esperança de salvação.
Ele sumiu, não sei como.
Desapareceu sem ao menos um motivo.
Queria entender o que acontece.
Queria não sentir o que sentes.
Somos tão parecidos.
O medo e o ódio são muito fortes.
E juntos são ainda mais.
Eles mandam-me matar-te.
E esse imenso espelho em minha frente.
Somos tão parecidos.
Não posso mais aguentar essa tortura.
E esse espelho imenso em minha frente.
E já é tarde demais, não aguento mais nem um instante.
A tortura de não entender o que está acontecendo é imensa.
Tenho que acabar com essa situação que me consome.
Vou mar-te.
Espero que entenda.

domingo, 31 de julho de 2011

Delírio



Estou sozinho,
Perdido nesse lugar distante.
Está tudo tão escuro.
Não vejo um palmo à minha frente.
Essas paredes frias que se fecham cada vez mais.
Esses fantasmas que assopram ao meu ouvido.
Assopram coisas horríveis.
Coisas que me fazem entrar em desespero.
Não sei porque estou nesse lugar.
Como vim parar aqui?
Porque está tudo tão escuro?
E esses fantasmas que me atormentam.
Esses fantasmas que me levam ao extremo delírio.
Não consigo movimentar meus braços.
É como se algo estivesse me prendendo.
Tento andar,mas meus pés se limitam até uma certa distância.
E esses fantasmas que me levam a pensar que estou louco.
E essas vozes que não saem do meu redor.
Essas vozes que se misturam cada vez mais.
E esses fantasmas que estão me cercando.
Eles estão todos ao meu redor.
Não consigo mais falar.
É como se houvesse algo me tapando.
As vozes me confundem ainda mais.
Agora pude entender algo.
Uma delas diz que não estou louco,
Diz que estou passando por um momento em minhas vida, apenas.
Um momento de aluscinações.
Mas esses fantasmas
Eles me dizem o contrário.
Dizem que estou louco.
Eles me falam com uma convicção.
E as paredes estão se fechando.
O crepúsculo desse lugar é cada vez maior.
O meu desespero agora ganha um parceiro.
O meu choro.
Um choro extremamente alto e desesperado.
Estou em pânico.
Estou fraco.
Esses fantasmas sugam a minha força.
“É como se toda a alegria do mundo tivesse acabado”.
Quero fugir,mas não posso.
Estou preso e amarrado.
E esses fantasmas acabam com a mínima paz que tenho em meu coração.
E quando sinto que não posso mais aguentar,
O relógio toca,tenho que acordar,
Pois é hora de ir pra escola.